Arquivo do mês: fevereiro 2011

“We all have to start somewhere” – Todos nós temos que começar de algum lugar…


Boa tarde Bailarinas e Bailarinos!

Quem já frequentou minha aula sabe o quanto procuro preservar a minha autenticidade, em ser eu mesma, e para muitos até espontânea demais. Como tempo a gente vem lapidando, como todos, e crescendo e modificando. POrém recebo cada aluna(o) como uma mulher, como um homem. Ou seja não é apenas a bailarina clássica, a professora de ballet que recebe aqueles que vem buscar as aulas, a mulher Karen Ribeiro também. Muitas vezes até me abro pessoalmente contando “causos” da minha vida particular àqueles que passaram a ser o centro de minha vida…

Pode parecer loucura, mas vivo para meus alunos, minhas aulas, minha profissão. De forma que sempre olho para cada um de vocês com um certa proximidade! E muitas vezes quando vejo as expressões faço minha “análise”… E tento experimentar a expressão daquele aluno em mim. HÃ?!

Eu me importo, é isso. E referencio com meu repertório para tentar compreender o que está acontecendo. Pois muitas vezes parece que tudo está claríssimo no ballet e não há o desempenho esperado pelo aluno e este sai “frustrado”… Então comecei a me importar ainda mais com o contexto dele, mesmo que ele não fale, sua postura, expressões, olhares, irritação ou não, modo como está vestido, o cabelo, o sorriso ou não da entrada e o da saída… observar… legado de ser terapeuta ocupacional. E acredito que isso está fazendo toda a diferença…

Ano passado muitos de meus alunos pediram, fizeram cartinhas, mandaram e-mails pedindo que eu não parasse de dançar. Olhinhos marejados e brilhantes pedindo, me emocionaram. Não se tratam de crianças, e sim de mulheres e homens adultos que se identificam com a Karen Bailarina, e esta os inspira… Bom, emocionada com tantos pedidos, decidi não aposentar as sapatilhas, retornar às aulas particulares de ballet clássico com uma maestra russa (a Maestra Natalia Zemtchenkova), cuidar mais do corpo e da saúde. Ampliei minha equipe com meus pares amados, e com quem posso contar, e diminuí minhas atividades burocráticas orientando melhor minha equipe administrativa e facilitando a conversa e o aprendizado também do modo como eu gosto de trabalhar. Minha direção está sendo feita a 4 mãos, sendo que Eu e Carlos presenças reais.

Mas bailarina e professora são profissões diferentes e EXIGÊNCIAS diferentes. Então aulas de maestria e de metodologia. Construção de aulas, construção coreográfica, aulas de postura profissional. Como diria minha maetsra: “Não tem como transformar você em uma professora russa, você sorri demais, é muito amorosa. Mas tem como ser uma das melhoras, pois vc tem capacidade técnica e teórica, e muita experiencia. Incrível como transforma seu corpo em poucos dias”. – Obrigada Maestra! Quem sabe um dia poderei ministrar aulas assim como você me ministra.

Daí tem uma outra parte de mim que é aquela da qual eu abro mão como todos aqueles que se dedicam a arte do ballet clássico e da dança e da arte: o lado pessoal. A mulher (ler editorial do Ivan Grandi na Dança Brasil de fevereiro/2011) Karen acaba sem tempo de chegar cedo em casa, e sempre existem os imprevistos de uma aula marcada para acabar as 22h… a aula ta muito boa e a gente continua mais um pouco, troca de experiencias, cuidar da coluna e dos dedinhos dos meus alunos, conversar, ensaiar… ficar um tempo a mais com o aluno, e até  cerveja após a aula porque ninguém é de ferro. Ensaios de fim de semana completos, pois ter uma escola de adultos é se acostumar com o tempo diferente… o adulto nõa tem tardes e manHãs livres, ele tem as noites e os fins de semana… e é a vocês a quem eu dedico minhas, noites e fins de semana. As tarde são de preparação, estudo e organização desta escola, feita de amor e técnica.

Mas tudo isso faz eu ter três olhares no momento  em que olho para meu aluno: a mulher, a bailarina e a professora.

Este ano de 2011 vem sendo um ano de determinar as conquistas e os caminhos, e as aulas tem tido um crescimento tecnico e de qualidade surpreendente. Os alunos que entram ou permanecem tem a possibilidade de experimentar aquilo que a maestra disse á bailarina aspirante a professora: ESTÃO APRENDENDO DIA-A-DIA  a transformar seus corpos de forma CONSCIENTE e rápida. Claro que para o adulto a palavra rápido deve ser esclarecida, pois eita povinho que acha que rápido é instantâneo, rsrsrs (nem o miojo é instantâneo, poxa, são 3 min para cozinhar e mais 2 para arrumar e esperar esfriar! Isso porque vem pré frito para ir mais rápido! – um dia conto a minha frustração de descobrir que eu não ia comer na hora e ainda tinha que usar fogão convencional… kkkk coisas de Karen).

Daí meu olhar de mulher/bailarina quando vejo: a primeira e já perfeita pirouette da Paula Bambino, o balance e acabamentos perfeitos, bem como um estudo de fuettes e arabesques belíssimos da Marcela de Mingo, a transformação da Kelly Pessolato, com seus balances, pirouettes de acabamento impecáveis… O balance de adágio da Mariana Lessa, com retires na meia ponta. o desempenho em pontas de todas as meninas. O nascimento do en dehors da Midori e da Lia, e com isso toda uma consciencia de movimentação bárbaras… Tenho vontade de citar uma por uma mas daí eu ia fazer post de chamada!… Pois na conquista a PROFESSORA KAREN RIBEIRO se alegra de uma tal maneiraque grita e vibra, e a bailarina compreende a lágrima nos olhos, a felicidade que parece explodir no peito, a dor que passa a ser lembrança da conquista…

A bailarina Karen compreende o choro de uma aula que não foi como o esperado, o dia que a conjunção dos astros não possibilitam eixo para absolutamente nada, a angústia e o vou desistir… e por isso que a bailarina acolhe tudo isso. Porque NADA, ABSOLUTAMENTE NADA QUE NOS PROPOMOS SERIAMENTE É FÁCIL OU VEM FÁCIL.

E o ballet clássico é DIFÍCIL. MUITO DIFÍCIL. Exige muito estudo da arte, do próprio corpo, da compreenssão do desfio proposto naquela musculatura, a busca constante. Nunca, no ballet, podemos dizer que sabemos tudo, ou que podemos parar de treinar. É necessária muita concentração. É necessário muito estudo. E é indispensável sentir e expressar, e como a propria maestra disse: é necessário AMAR.

A mulher Karen gosta da troca do saber das histórias: eu gosto de história de vida, de corpos com conteúdo, para que possamos juntos transforma-los naquilo que se propõem.

A mulher Karen se orgulha de ver mulheres olhando para a transformação que eu mesma me proponho e se incentivando com isso. Gosta de compreender o olhar cansado, a musculatura que as 22h mesmo cansada anseia trabalho, mas que às vezes não responde mais. Gosta de ver como as pessoas resolvem os problemas de lateralidade e agilidade de pernas, pés e pensamentos, gosta de ver e se emociona com cada conquista. Eu também me orgulho muito de ver alunas que vieram até minha sala de aula e aprenderem e saíram com mais: paranéns Deborah Ramacho, após 1 ano de ballet clássico entrou para o quinto ano de uma escola regular. Parabéns Aline Castanhari pelas conquistas também! E parabéns a todos os alunos que foram alunos e absorveram o aprendizado e foram em busca da transformação deles! Obrigada por terem divido comigo um pouco do sonho de vocês!

Engraçado… rs Eu comecei o post com uma idéia, e com um titulo – afinal nós temos que começar de algum lugar né?! e Olha isso: saiu tudo diferente… rsrsrs Adoro a transformação do POSSIVEL.

O que eu proponho?

Como mulher: ir atrás de concretizar aquilo que esté com vontade. SE PERMITIR ser você e entrar numa sala de aula e aprender a costurar nem que seja a primeira sapatilha.

Como bailarina: organize sua vida para dar conta de continuar concretizando seu sonho. O ballet me organiza. Faz com que eu tenha hora de dormir, me preocupe com minha alimentação, me preocupe COMIGO MESMA. Acho que este é o maior aprendizado empírico  do ballet clássico: você com você mesma. Descobrindo as limitações buscando supera-las. Nada nunca acaba no ballet, é incrível, tem sempre o que crescer mais, esticar mais, agiulizar mais, estender mais… sentir, expressar, sorrir… tecnica, mimica, repertório, história, composiçõa coreográfica, figurino, maquiagem, etc etc etc etc…

Como professora: se permitar errar. VocÊ foi para a sala de aula para aprender e todo processo de aprendizado tem o erro que ajusta para o acerto. Ouça mais, fale menos. Você não precisa se desculpar ou rebater verbalmente, com certeza sua professora sabe o que está acontecendo e ela nõa está te julgando: ela está te ensinando! E por ela te ensinar parta do pressuposto que ela ACREDITA EM VOCÊ E QUE VOCÊ CONSEGUE! Não cruze os braços. Deixe seu corpo aberto para receber o conhecimento. Não perca a postura trabalhada entre uma barra e outra, sentando sobre a coluna. VOCÊ TEM DÚVIDA?! PERGUNTE! Sua professora pode não ter percebido ou não compreender seu sinal… NÃO ENTENDEU? PEÇA PARA QUE ELA EXPLIQUE NOVAMENTE. Escutou a música? Mas não entendeu o andamento do exercício na música? Peça para que ela marque com vocês! É melhor compreender de verdade do que errar por não saber fazer! SE PERMITA Não SABER. e Permita ao seu professor ter dúvidas. Seja honesta(o) com você mesma(o).

Para retomar o título do post novamente: agradeço aos alunos e alunas que tanto insistiram para que eu não parasse de dançar. Sim eu danço para vocês… faço aulas para vocês, e cada reconquista em meu corpo por ter começado de novo eu me alegro por saber que vocês se beneficiarão com essas conquistas também! Agradeço ao Carlos Oliveira… bailarino, amigo, professor, companheirão. Parceiro de aula e agora parceiro de dança e de desafios, que são conjuntos….

Então isso quer dizer que a gente chega quando se propõem a começar. Cada pessoa tem um lugar para começar, mas de um jeito ou de outro para chegar a algum lugar é necessário começar e continuar! Eu COMECEI.

beijokas iluminadas e uma finalização de semana com muito ballet clássico para todos nós!

Tia Ká

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