Arquivo do mês: agosto 2013

Dúvidas eternas da bailarina adulta.


Olá bailarinada!

Geralmente me perguntam se dá para fazer ballet mesmo sendo adulta. E esse adulto vem desde os 17 anos até os 60 anos. Às vezes me perguntam se dá para se profissionalizar e competir com meninas mais jovens, e tentar carreira em uma grande companhia… Às vezes a dúvida é só se vai conseguir fazer ou não.

Para mim todas essas perguntas são muito genéricas, pois as respostas dependem muito de cada pessoa que pergunta!

A primeira: se dá para fazer ballet sendo adulta?

* Claro que dá! Afinal de contas tenho uma escola de ballet clássico apenas para adultos. Mulheres jovens, jovens senhoras e senhoras que no ballet iniciam re-descobrir seus corpos, modelar, experimentar novas sensações não apenas corporais e sim de alma!

Experimentam o sonho das sapatilhas de pontas, a disciplina e o treino duro, a concentração e a remodelagem de seu físico e de seu espírito. Enfim passam a viver o “ser bailarinas”.

Ah mas duvido que elas vão virar profissionais.

E porque elas e eles deveriam focar nisso?! Minha escola foca na seriedade do ensino do ballet para adultos, sem almejar o que cada aluno fará com isso. Esperamos, na escola, que desfrute de momentos saudáveis, de realizar seu sonho, de entretenimento, e com muita seriedade. Para isso investimos pesado para que nossos professores continuem tendo a melhor formação e assim lhe dar a seriedade do seu ensino.

Ou seja dá para fazer ballet sendo adulto e nós mesmos somos prova disso! *

Segunda pergunta: dá para se profissionalizar e competir com meninas mais jovens, e tentar carreira em uma grande companhia?

* Bom… se vc começa com 22 anos e quer competir com uma menina de 17 que vem treinando desde sempre terá que correr muito atrás, com muito treino e muita dedicação. Porém ninguém poderá te certificar onde você chegará. As grandes companhias hoje em dia geralmente tem idade mínima e máxima para entrar… A maioria requer um curriculum no qual o bailarino tenha tido experiências internacionais, escolas com bons maestros e muita dedicação… praticamente a mesma ou mais que uma graduação em uma difícil profissão mais comum, como engenharia ou medicina.

Trabalhar com arte é tão ou mais difícil que qualquer outra profissão, ainda mais quando seu corpo é seu instrumento de trabalho.

Mas isso não deve ser um não incentivo, afinal nas escolas de ballet que dão ênfase a criança e adolescentes poucos saem dali sendo apenas grandes bailarinos profissionais, as vezes passam-se gerações sem que um de seus alunos tomem gosto por profissão tão bela e difícil. Então não se preocupe em fazer o ballet com ênfase no seu entretenimento, mesmo que a seriedade de aprende-lo (mesmo porque deve-se ter muita preocupação em não se machucar na pratica, assim como em todos os esportes!) seja mais rígido do que por exemplo fazer uma academia convencional.

Meus alunos costumam reclamar quando ficam uma semana sem vir e a diferença do corpo no retorno.

O Ballet é crescimento contínuo e constante.

Então veja quais são suas metas, para não se aplicar deads lines que não corresponderão ao quanto você pode se entregar e se dedicar!

Eu por exemplo.

Decidi trocar uma vida convencional e já encaminhada para voltar aos ballet.

Ser professora de ballet para adultos e voltar a dançar: ser uma bailarina adulta.

Larguei tudo. Me dedico 24h/dia a essa escolha. Não tenho filhos, nem marido e ultimamente nem namorado, porque conciliar tudo isso a uma rotina como a minha é insano! Dou aulas a partir das 8h30 e minha ultima aula acaba as 23h30, mesmo dividindo com os professores de minha equipe, ainda dirijo a escola, e treino como bailarina.

Uso o meu dia pensando em ballet, colocando os ensinamentos que dou e que recebo em pratica em meu corpo e em minha alma.

Para minhas alunas e alunos isso já fica mais complicado, porque o ballet é um hobbie, e como levar o treino para o dia a dia?! Usando os ensinamentos de sala de aula na reconstrução de sua postura, de seu alinhamento corporal e em seu físico no dia a dia, na fila do banco, no caminhar, sentada trabalhando… E então ao chegar para a aula… não é milagre é consciência corporal!

Ou seja independente da quantidade de vezes que você vem ao studio fazer aulas o importante é o que leva delas para o seu dia a dia! E o que traz de volta! O estudo é seu! De cada um!

Por isso é muito complicado comparar-se com uma pessoa que se dedica 24h/dia pensando e colocando isso no físico!

Por isso passaremos a dar dicas de ballet no dia a dia a partir de hoje!

Aqui vou falar um pouco do meu físico e das mudanças que me proponho diariamente… afinal tenho hoje 36 anos, por não me pesar não sei essa medida, mas não sou magra!

Eu me preocupo com meu físico.
Estou em dieta e faço aulas todos os dias.
Mas tenho coxa grossa.
Sou baixinha.
Tenho dezenas de alunas que entram para o ballet em busca de realizar mais de um sonho… e eu acredito que seja o sonho de voltar a se amar por inteiro…
Muitas começam tímidas, uma vez na semana, (que eu costumo dizer que é melhor que nenhuma! Ah, mas dá resultado? Uai qual resultado vc quer? Começar pode ser um desafio maior do que obter resultados corporais, estéticos ou mesmo técnicos, e depois manter a frequencia!!!)… e quando percebo começo a ver o rostinho cada vez mais vezes!

E de repente elas estão muito mais lindas.
Mais sorridentes, mais modeladas… preocupadas em cuidar de si mesmas!
E então a dança começa a fluir.

Porque eu me preocupo com meu físico? Porque eu levo o ballet a sério e sei que para trabalhar até alongar os ossos (como diria Dona Neyde) preciso diminuir as camadas!!! rs
Eu sempre ouço algo em relação ao meu físico e minha idade, e uma falta de crença.

Eu? EU ACREDITO QUE PODE SER POSSÍVEL, ou melhor está sendo.
Porque se ballet é 99% suor e 1% talento eu vou suor até os 1% que talvez eu não tenha! E procurarei representar toda mulher adulta que deseja ser bailarina 24h/dia como eu pude começar a ser.

Essa foto é de abril, de lá par cá já afinei mais. Já trabalhei mais. Em breve terei novas fotos…
Não desanime.
É difícil mesmo, coloque-se metas pequenas, e ao alcança-las coloque outra e assim por diante.

Minha meta atual é alongar-me, para poder afinar e refinar minha técnica. (isso como bailarina)

Minha meta como professora é possibilitar que meu aluno esteja menos ansioso e mais atento ao desmembramento dos passos do que aos passos finalizados em si! Pois tudo e todo passo tem começo, meio e fim!

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E a de baixo é uma foto em aula tirada há duas semanas!

Crescida, um pouco mais afinada…

É, quando a gente não se impõe limites ou barreiras, e galga degrau por degrau a gente não se importa com o onde chegaremos e sim com o caminho.
Porque o trabalho é tão mais gostoso e longo…

Se permitir.
Se amar.
Se transformar para e por que você mesma deseja.

Essa é a alegria de tanta dedicação a um sonho o passo a passo para um dia quem sabe torna-lo realidade!
Mas o passo a passo transforma-o em real.

Meta de vida, não apenas de ballet!

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Espero que minha história inspire seu caminho para que não desista!

Não é fácil mas vale a pena investir em seus sonhos!

Um grande beijo a todos!

Karen Ribeiro

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