Arquivo da categoria: Histórias de vida de bailarinas adultas e reais!

Aqui você encontra os posts contendo textos baseados nas histórias de mulheres que encaram com coragem o enfrentamento de seus sonhos e voltaram ou iniciaram o BALLET CLÁSSICO.

Sou bailarina.


Criança, adolescente, adulto, idoso. Tem idade para ser bailarina?!

Não, não tem idade para ser bailarina.

“Ser bailarina” é muito mais do que abrir um grand ecart a 180 graus, ou mesmo ser flexivel e alongado. É muito mais do que ter eixo (facilidade para giros) e ser magra. É muito mais do que andar de coque e roupa de ballet.É mais, MUITO MAIS.

“Ser bailarina” é um ESTILO DE VIDA. É ter disposição todos os dias a melhorar aquilo que você pode ter julgado bom desempenho no dia anterior. Ser bailarina é dedicar-se, é respirar ballet.

Daí você se pergunta… ah mas daí tem que viver para isso, eu tenho que trabalhar…

Mas você pode muito bem ser bailarina e não exercer a profissão bailarina. Muitas bailarinas e bailarinos que exercem essa função às vezes podem apenas estar bailarino e não ser.

Você não está entendendo?!

Vou tentar explicar…

Se vocÊ está lendo esse meu texto sabe muito bem que eu dou aulas de ballet clássico com foco no adulto, principalmente aquele adulto que quer iniciar o ballet clássico. Hoje eu tenho uma escola de formação em ballet clássico para adultos. Mas de qualquer forma eu me capacito diariamente a ter a possibilidade de dar aulas de formação em ballet clássico para todas as idades, mas meu foco é o adulto.

Mas não necessariamente dar aulas de ballet é formar bailarinos. No meu caso é.

Porque. Porque Ballet Clássico é arte. É necessário muito mais que fazer plies para esse plie entrar no tempo musical, como se as notas musicais estivessem saindo pelos poros do bailarino e tocando os olhos de quem o assiste. E essa arte requer mais que um treino físico.

Então eu procuro formar amantes do ballet clássico capazes de transformar movimentos em sonhos. Como diria a minha maestra, quem vai assistir a um ballet vai se transportar para um mundo de sonhos durante algumas horas. E nesse momento ele precisa ser encantado com a capacidade dos bailarinos da ultima fila do corpo de baile ao principal em transformar sua realidade em sonho, em leveza, em momentos inebriantes!

E para isso existe uma essencia… uma busca, constante.

Meus alunos são bailarinos. Conheço cada um, cada endehor, cada musculatura, cada sorriso, cada forma de pensar, penso junto com eles… se eu tenho poucos alunos… não, não tenho poucos (graças a Deus) mas eu não penso nessa quantidade e sim vejo cada aluno como unico, e dou a ele tudo o que sei como a um primeiro bailarino em formação… Não que eu seja uma primeira bailarina, mas graças a Deus em meus 25 anos de ballet clássico tive a oportunidade de ter sido “treinada” com alto grau técnico, para ser solista, e que me garantiu uma história que eu nunca pretendi mas que aconteceu. Mas nõa aconteceu por que eu tava parada. Aconteceu porque alguém acreditou em mim, mesmo com todas minhas particularidades, enxergou em mim uma artista e investiu e nessa contrapartida eu respondi com meu suor, com meu choro, com minha alegria, com minha dor, com sim meus momentos de sofrimento e de vontade de jogar tudo para o alto, mas o ballet não é para fracos (no sentido emocional).

O ballet clássico (falo como se fosse uma entidade, né?!) é um desafio constante. A perfeição técnica é inatingível até para o nível de qualidade técnica da Svetlana Zakharova… E olha que para uma mortal como eu ela é já uma perfeição inatingível.

O ballet clássico requer o seu empenho diário e a sua dedicação em transformar seu corpo e possibilitar que ele realize movimentos dificilimos que inclusive desafiam a gravidade… e o mais difícil de tudo, ele precisa encantar. Pois cada passo cada compasso corresponde uma interpretação, um sentimento, um desempenho artista.

Ele te desafia, te cansa, te exaure não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Parece que ele quer sugar toda a sua essencia para que quando você dance essa essencia exploda em movimentos, em respiração, em leveza, em graça, em ARTE.

Ahhh, mas eu to velha, ou to gorda ou sei lá… sou baixinha, sou en dedans, sou sei lá o que eu sou. Me importa a seguinte: VOCÊ QUER SER BAILARINA?! Você topa o desafio de transformação que o ballet te faz?!

Não pode ter medo. Mas pode temer. Porque é assustador, deliciosamente assustador o que você pode fazer quando se decide a ser e não a estar.

Daí você pensa mas tem milhares de pessoas que tentam, tentam e nunca conseguiram. E eu pergunto: MAS ESSA PESSOA QUIZ DE VERDADE? Ela aceitou o desafio de APRENDER A APRENDER?! Porque um bailarino vai passar a vida toda aprendendo independente da idade e do tempo que tem de função nesta área. O bailarino tem que dar o seu melhor todo dia, tem que ter humildade de errar, porque você vai errar e vai nõa saber todos os dias. O bailarino vai ter que se calar para poder pensar e transformar o pensamento em ato.

E eu posso garantir que essa é a maior dificuldade do bailarino. O resto a gente treina, alonga, molda o corpo.

E vou te dizer hoje foi o dia em que todos tentaram fazer eu parar. Mas eu não para eu aceito o desafio. Se mesmo após uma seuqencia belíssima de fuettes eu ouvi que minha bunda é muito grande e eu jamais serei capaz de fazer essa sequencia de forma bela, eu vou dizer sempre fui surda a quem me disse na vida que eu não iria conseguir. Eu não desisto simplesmente porque é difícil ou porque as pessoas estão acostumadas a pensar em padrões que realizam coisas e outros padrões não realizam.

É isso que eu falo: eu vou fazer, eu aceitei o desafio que minha maestra me deu no dia em que eu entrei na sala de baby class (ela fazia questão de acompanhar todas as crianças do baby ao primeiro ano e depois do quinto e daí para frente) e disse ao meu pai que ela queria me formar. É esse desafio aceito que eu estou aceitando de novo aos 34 anos voltando a treinar como bailarina de alto padrão tecnico. Invisto nisso.

E sabe porque eu re-comecei?! Porque meus alunos pediram para eu não parar de dançar… Porque eu invisto em meus alunos um a um como se fosse o único aluno que eu tivesse e dou a ele aquilo que posso e sempre me empenho a dar ainda mais todos os dias para que ele seja BAILARINO.

E eles são. Todos os alunos do BalletAdultoKR® são bailarinos. Respiram, estudam, se dedicam, se propuseram a mudar posturas diárias, a mudar corpos, a dar leveza. Aceitam o desafio de se passar por ridículos para aprenderem a transformar sonhos em realidade… pois é isso que fazemos para nossa plateia, concretizamos seus sonhos, e nesse caminho realizamos os nossos.

Mas e se ele não quiser ir ao palco?! Não precisa! Tornar possível fazer ballet clássico e ser bailarino nõa precisa ser subindo no palco… pois nosso maior palco é nossa vida.

Mas e se eu quiser fazer apenas como atividade física? Ok! Vamos ver se voCê nõa vai se apaixonar pois tem repetições e sequencia cansativas que só por muito amor!!! rsrsrs Mas bora lá, se permita encantar… Pois eu vou ser muito sincera… se alguém procurou o ballet clássico ele quer muito mais que uma atividade física… ele também quer uma atividade para o seu coração… para sua alma.

Se eu me acho?! E faço meus alunos se acharem?! DE FORMA ALGUMA, pois PARA SER BAILARINO VOCÊ PRECISA SER HUMILDE. Você tem que construir etapas de desenvolvimento. Você tem que aceitar que você não é aquilo que desejava ser e então a partir daí se transformar no que deseja, mesmo que essa transformaçõa não tenha fim! Essa é a graça, o desafio diário…!

Se você nõa é humilde, você adoece, seja emocional ou fisicamente. E nõa é o que proponho. Proponho ao meu aluno primeiro se conhecer. E quer arte melhor que esta que te põe em contato direto com você mesmo e te “auto-desafia” para você começar a se conhecer?!

Porque de verdade, não tem como mudar aquilo que você não conhece… Eu não transformo ninguém… minha função como professora é te INDICAR O CAMINHO.

beijos iluminados com olhos marejados,

Tia Ká

Minha maestra Natalia Zemtchenkova e eu (Karen Ribeiro) antes de uma de nossas aulas! Ela me ajuda a me transformar a cada dia na bailarina Karen Ribeiro! Obrigada Maestra, amor.

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“Será que ainda da tempo?!” – dúvidas e mais dúvidas!!!


Todos os dias eu recebo um e-mail ou um telefonema, ou ainda uma pergunta direta na conversa com meus alunos(as) que contem a frase: “será que ainda dá tempo?” “será que vou conseguir?” “será?!”…

Marília Costa - na coreografia "Sonhe" - Espetáculo "Sonhos" do BalletAdultoKR® 2010 - Teatro Gazeta

Daí me recorre que essa pergunta quando relacionada ao ballet ela é retórica em relação a um certo “TEMPO PERDIDO”. Como se a possibilidade de realizar um sonho o “sonho de ser bailarina” se remetesse a outros “tempos perdidos”: será que dá para eu beijar quem eu deixei de beijar? abraçar quem eu deixei de abraçar? me desculpar a quem deveria ter me desculpado, ligar para quem eu deveria ter ligado, falar o que deveria ter dito, calar-me quando falei?!…

A realização do sonho de ser bailarina clássica, ou mesmo a possibildiade desta realização é envolta de uma grande carga emocional, de possibilidades que passam a ser reais e antes eram imaginárias ou mesmo nem imaginadas. E isso tem uma repercussão muito grande dentro (coração e cabeça) de todos nós.

Vira e mexe EU me olho no espelho de minha sala de aula e vislumbro meu corpo, e pergunto-me também: será que vou conseguir?! Esse espelho cruel da sala de aula: que me mostra meus quilos a mais, minha idade a mais, meu tamanho de menos, minhas coxas de mais… Esse espelho é tão verdadeiro que ao dançar eu prefiro o espelho interno, o espelho da minha alma, aquele no qual eu me enxergo como eu me projeto, e por isso a pergunta “será” deixa de ter sentido e eu acredito cada vez mais que sim é possível, é possível e sim, dá tempo.

Mas depois eu recebo essa pergunta de novo, no fim do dia, na ultima aula: “Tia você acha mesmo que dá tempo? que eu vou conseguir?!” – e por trás da pergunta olhinhos brilhantes de possibilidades que ao entrar na sala de aula vestida de bailarina passaram a ser reais, e as dúvidas que antes eram tão distantes passam a ter gostinho de conquista.

EU como professora vejo progresso em meus alunos DIARIAMENTE. Aulas pesadas de construção, que muitas vezes nõa chegam ao centro ou às diagonais por precisar aprender de fato, limpar de fato… Mas que aos poucos vai delineando o caminho motor da musculatura e dia após dia vai delineando movimentos dançantes nos braços, nos pés, nas pernas…

“Tia, eu não consigo” – afirmação vinda com olhos marejados diante um passo dificil para a primeira execussão, ou diante de vários dias tentando e não saindo como desejava (a sindrome da perfeição absoluta!!!!), e a gente faz junto e a possibilidade do conseguir se abre e junto com isso um sorriso emocionado se abre timidamente.

Ballet é arte envolto de movimento e musica. Movimentos precisos que precisam ser delineados em coordenaçõa motora, força muscular, direcionamento nervoso, composição mecânica, e junto com tudo isso estar extraindo de cada poro do nosso corpo as notas musicais, as expressões…

Meus alunos de nível básico (1 e 2 ano vaganova) já começaram esta semana o estudo das cabeças e braços juntos com os movimentos de barra. É incrível o que já se fazia com facilidade tornar-se tão complicado ao colocarmos uma cabeça acompanhando ou um braço…

Será que eu consigo?! Eu como professora estou na sala de aula para te ensinar o caminho. E EU ACREDITO EM VOCÊ. E sei que consegue! Afinal ter uma escola de ballet clássico para adultos com mais de 1 centena de alunos (!) pode responder essa pergunta né?!

Mas eu tenho coxas grossas… EU TAMBÉM. Eu estou acima do peso… OK, A GENTE PODE MUDAR ESSA SITUAÇÃO E TRABALHAR SUA MUSCULATURA PARA A DANÇAR SER POSSÍVEL!

VAI DEMORAR MUITO??? O tempo é uma questão altamente relativa… e dela advém o será que ainda dá tempo…

já ouvi pessoas dizendo que sou apressada ao mudar meus alunos de grau e colocar pontas. Minhas aulas são construtivas, e estudadas e meu legado de ser terapeuta com minhas especializações me permite um conhecimento e um olhar para o corpo do meu aluno que possibilita alguns apontamentos únicos.

Alunos estudiosos e assíduos, até de 2x semana chegam a colocar pontas SIM EM 3 MESES. Mas é de cada aluno. E colocar pontas significa treinar nas pontas, aprender a subir e a manter o calcanhar alto dos trabalhos de meia ponta altíssima desenvolvidos na sala de aula. Colocar as sapatilhas de pontas não significa virar da noite para o dia uma Makarova!!! Mas possibilita delinear os caminhos de minhas alunas… que apontado pelo professor começa a seguir o curso que elas próprias vão trilhando… e isso é lindo!

Daí esse vai “demorar muito” deve ser direcionado de fato: vai demorar muito para que?! As vezes um minuto de espera por aquela ligação é uma eternidade, e um ano ensaiando para um espetáculo de fim de ano passa tão rápido!!!

Eu posso dizer:

1. Tia Ká (professora) = ballet é aprendizado diário, estilo de vida. É necessário treino, muito treino. É necessário levar para o dia a dia a postura aprendida, andar com o umbigo na garganta, as escápulas encaixadas e os intercostais sustentados… você passa a treinar escovando os dentes, esperando o ônibus, o Metrô, no cabelereiro, arrumando a casa e até mesmo no trabalho (quem nõa curte as cabeças do ballet no dia a dia heim?! – rs)… Vai demorar O SEU TEMPO. E dá tempo?! Claro que dá, mas é PRECISO COMEÇAR AGORA. A GENTE GANHA 1mm de alongamento por dia… no final de um ou dois meses já vou ter descido 2/3cm – agora se eu não treinar vou continuar nõa conseguindo!

2. Karen Ribeiro (bailarina) = Vai conseguir sim!!! Eu também fico em dúvida e tem dias que ta tão difícil dar à minha maestra o que ela pede, que aquele suspiro de meu Pai, porque escolhi voltar a fazer isso, rs, me domina, mas é subitamente substituído pelo olhar  dela: vai, vai que vc consegue, não tenha medo… Eu me emociono de lembrar e sei que é este mesmo olhar que quando entro na sala de aula como professora eu dirijo aos meus alunos!!! ENTÃO: VAI CONSEGUIR, mas é preciso treinar! Sempre!!!

Então gente, dá tempo sim, mas páre de perder tempo!!! Venha começar logoooo!

Tem 16 anos e quer ser bailarina profissional?! TEM MUUUITO CAMINHO PELA FRENTE E MUITA DEDICAÇÃO, corre vai fazer aula!!! 18?! Vamos correr e fazer aulas!!!

Já se passaram 30 anos?! Melhor que 40! Ah… mas já se passaram 40, vamos antes dos 50!!! Mas eu tenho 50, entõa venha antes dos 60 e assim por diante! OU VOCÊ FAZ AGORA E COMEÇA A REALIZAR SEU SONHO, OU VAI SE LAMENTAR NÕA TER TIDO A CORAGEM DE TER TENTADO REALIZA-LO E VER QUAL É A RESPOSTA DA SUA PERGUNTA. Pois eu respondo da minha experiencia de vida, mas ia ser bem legal que você respondesse diante da sua experiencia de vida!!

Lanço aqui a oportunidade de minhas alunas e ou outras bailarinas adultas responderem essa questão! o que acham?! Postem em comentários neste post a resposta de vocês às perguntas:

1. Será que dá tempo?!

2. Mas vai demorar muito?!

3. Eu tenho coxas grossas, será que eu consigo?!

4. Eu sou muito alta e magra demais… consigo?!

5. EU to acima do peso e sou muito baixinha… será?!

 

Lançado o complemento, digam vocês bailarinas adultas: será que consegue?!

beijos iluminados a todos,

 

Tia Ká!!

 

 

Corpo de baile do BalletAdultoKR® na coreografia "Sonhe" - do espetáculo SONHOS 2010 - mulheres de 20 a 40 anos que responderam às perguntas acima da melhor forma: EXPERIMENTANDO!

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Feedback 2 – “Tia, eu estou indo bem?! Eu melhorei?!”


Olá Queridas bailarinas e bailarinos!

Confesso que estava com dúvidas sobre o que de fato escrever… Mas ontem após uma conversa de longa distância sobre posts antigos, histórias antigas e atuais, alguém sugeriu: “Ah, Tia! Escreva sobre como estamos indo! Feedback 2!”. Ok!
Quando eu escrevi o primeiro feedback estávamos traçando os caminhos da formatação de nossa “escola de ballet clássico especializada no ensino para adultos”, ja éramos em muitos porém não tão próximos uns dos outros como estamos hoje! É incrível, como de verdade isso vai se construindo, essa proximidade/amizade! Hoje temos uma grande proximidade que me fez lembrar dos tempo de Ballet Ana Araújo, trabalho sério mas de amor profundo. A Ana é mágica e magnífica, na sala de aula, no palco, na conversa na salinha, até na bronca! E eu sempre achava que estava em minha segunda casa, minha segunda família, laços esses que eu jamais quebrei, muito menos o amor, a admiração e até certo ponto a devoção.
A Ana Araújo dentre muita coisas me ensinou a proximidade, a amizade, a bronca para o crescimento. O dito: “temor reverencial”. Ver quando ela de fato se alegrava com algo que nós fazíamos era de uma iluminação única. A mão dada, o olhar com lágrimas, os corações batendo juntos e ao mesmo tempo (mesmo que totalmente arrítmicos!)… tem quem chame de confraria, eu chamo de amizade verdadeira daquelas abençoadas pela arte. E junto com tudo isso o seríssimo trabalho de Ana Araújo e sua escola que já levou bailarinas e bailarinos para o exterior, e grandes companhias brasileiras (;p). Ou seja ela é endeusada por nós suas eternas bailarinas e por todas aquelas que já passaram por suas hábeis mãos de formadora de bailarinos, porém ela é humana e por isso amiga, diretora, mãezona, coreógrafa, professora. Eu me inspiro muito em Ana Araújo, pois ela foi e sempre será alguém extremamente importante = deu-me o espaço que eu precisava para voltar a ter muito tesão/prazer em dançar. Dançar com ela, com Roseli Rodrigues, jogar a cabeça, rapidamente, giros, pernas, olhar, carão e MUITA TÉCNICA! Obrigada!
A proposta do ballet clássico para adultos na minha escola é séria. E tem a ver com o rápido crescimento e desenvolvimento que meus alunos e alunas apresentam em sala de aula. A grande maioria matriculada mais que 2x na semana, porém com grande crescimento também visto nos alunos que infelizmente não podem, não conseguem, fazer mais de uma vez na semana.
Já disse em outras ocasiões que boa formação a gente não perde. Acredito muito nisso levando em conta inclusive que os ensinamentos recebidos por nossos pais se perpetuam em nossa vida sejam eles bons ou ruins. Eu agradeço diariamente aos meus pais os caminhos que eles me traçaram, aqueles que fizeram comigo de mãos dadas e atualmente essas mãos dadas via linha do coração, pela distância.
Desta forma acredito que a formação solida, a busca crescente pelo meu desenvolvimento como professora, e a sempre oportunidade de aproximação com meus alunos-pupilos-bailarinos me faz crer que estou no caminho certo. A gente não se entrega ao conhecimento que não acredita. E esse acreditar é no que esta sendo passado, em quem está passando e em si mesmo.
Ao ser extremamente minuciosa ao dar a aula descrevendo a musculatura que deve ser acionada, vendo isso no corpo do meu aluno através de olhos treinados anteriormente (minha segunda formação), e a seriedade no ensino concreto da arte do ballet contribuem para essa segurança que vejo crescendo no meu aluno. Não é apenas uma questão de movimentação escrita em livros, mas dançada de forma interligada e com sentimento. Sentimento esse que para existir precisa de algo mais, um toque de um certo “pirlimpimpim”- rs! E então os passos deixam de ser 1, 2, 3 fuette, e passa a ser um momento em que a plateia segura o ar, deixando as mãos preparadas para aplaudir… enquanto a bailarina vai sentindo esse coração dançante disparado, deixando a música sair pelos seus poros, mas não deixando de pensar em 1, 2, 3, perna, en dehors, etc etc etc. Mas o sentimento está lá saindo em forma de musica, de leveza, de passos tecnicamente treinados, buscando a execução perfeita.
Faço questão em minha sala de aula de fazer, de deixar acontecer, essa “magia”. Pois dançar vai além de físico perfeito ou apto à, vai além de saber fazer o passo. Para Dançar também tem o que de dominar o medo: o medo de errar, o medo de não ser perfeito como eu imaginei que pudesse ser, o medo de algo dar errado – pois sempre dá!… Ao final de cada aula eu faço o reverance. É um momento oportuno para aprender a lidar com esse sentimento+técnica, depois de uma aula, agradecer aos alunos, ao público, à Deus (seja ele o Deus de cada um – não falo de religião simplesmente e sim de crença, de fé…) agradecemos aos professores. O aplauso ao final de cada aula, vai dando o “aire” que o bailarino aprendiz foi buscar, dentro da sofisticação do ballet clássico!
Todo espetáculo de fim de ano tem um pouco de “formatura”, mesmo que não seja de fato a formalização do ensino técnico completo do ballet clássico, mas daquele ano que ele tanto estudou, que ele se dedicou… e este ano tivemos formaturas maravilhosas… Duas técnicas: Priscila Carvalho e Simone Kneip Cavalheiro! Hoje Priscila faz parte da equipe de professoras de minha escola e Simone só não o faz concretamente (sendo professora substituta) pois acaba de entrar para o mestrado! A Priscila (ou Pricupi) é doutora em Biologia pela USP!
Onde entra o feedback, Tia?!
Entra nisso tudo, fiz um para mim primeiro, rsrsrs (adendo!).
Após essa formatura e esse espetáculo, recebi minhas alunas e alunos de volta (ou a maioria, pois houve quem ainda não voltou, haverá quem não voltará e também quem demorará, mas volta) deixei-os a vontade com suas novas e grades e neste primeiro mês PUXEI, puxei mesmo as aulas! Houve quem foi para um grau mais avançado, houve quem permaneceu no mesmo tecnicamente por que ainda precisa limpar muita coisa, ou mesmo aprender de fato… Coisas extremamente comuns no ballet e que em nada tem a ver com “eu não sirvo” ou “eu nunca vou conseguir”.
Tem a ver com o ensinar e o aprender! Tem corpos e corpos , musculaturas e musculaturas! Mas todas melhoraram muuuito!
E se eu disser que parece que o espetáculo deu a vocês a certeza do estudo que desempenharam ao longos desse ou desses anos vai ser a mais pura verdade! Se eu disser que vocês hoje estão seguras de que podem, de que o estudo e o treino valem a pena, e que com isso estão cada dia indo mais e mais a frente e que eu me arrepio de vê-las a cada dia mais belas e mais bailarinas… é a mais pura verdade.
Hoje esse post vai dedicado a todas vocês minhas alunas e em especial para uma bailarina linda… a Rew Torres. Ela é humilde, sincera, honestíssima. Aplicada, discreta, faladeira (se eu não escrevesse vcs iam chorar sem rir!), pirueteira, linda bailarina. (não comentei o en dehors… bom deixa para lá…  rs) Linda amiga, inclusive. Ela tem potencial e possibilidades de solista e esse ano já ganhou seu belíssimo papel, e sim será solista POR MERECIMENTO TÉCNICO DE BAILARINA. Seu papel, a jóia raríssima que ela é… Rew! Você me supreende positivamente e muito a cada aula, e me encanta como amiga a cada dia! Obrigada!

Beijos a todas bailarinas e bailarinos que acham que foram mal na aula de hoje, que não ficaram satisfeitos com sua performance, que se acham muito ruins e acham que suas dificuldades são insuperáveis: a pior dificuldade é a de não acreditar! E tem dias em que nada da certo, que as estrelas e luas estão em organização não próprias para piruetas ou mesmos simples plies… rs
Ah! ISSO TAMBÉM ACONTECE COM SEUS PROFESSORES! Mais do que podem imaginar! rs
Mas é só não desistir de tentar, de levantar a cabeça e saber que é mais que uma linha de pé, ou uma perna alta. BALLET É MUITO MAIS. BALLET É ARTE, É DANÇA! E esse caminho alunos(as) queridos (as) do meu coração vocês já estão trilhando junto comigo: técnica + arte!
Um beijo iluminado para todos!!!
E LEMBREM-SE: EU ACREDITO EM VOCÊ! hummm.. um passo já foi dado! ;o)
Tia Ká
Foto do fundo do Blog – bailarina “Juliana Loyola” na coreografia PERMITA – “SONHOS” – 18/dezembro/2010 Teatro Gazeta


Primeira aula da ano de 2011! 10/01/2010 – Aula de básico 1/2 – segundas e quartas das 20h30 as 22h (visitas de alunas de outros níveis – a troca, o vislumbrar o amanhã sempre contribuem para o nosso crescimento!)

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Quem disse que é impossível?!


Muitas pessoas consideram tantas coisas impossíveis…

Quem leu minha história já chega em mim conhecendo alguém diferente, quem nunca conheceu minha história não sabe o caminho que trilhei para estar onde estou hoje e fazendo o que faço com tanto amor, dedicação e estudo.

Bom… hoje eu resolvi escrever sobre mim… rs

Sabe, é que hoje eu tive uma sensação maravilhosa na aula de flamenco… coisa que eu não sentia a muito muito tempo… desde o dia em que adaptaram minha sapatilha de pontas…

É isso, venci meu próprio preconceito e mandei fazer um sapatinho de flamenco totalmente adaptado, com palmilha interna compensatória para a diferenca de altura de minhas pernas, na busca de facilitar meu aprendizado e trabalhar melhor nas aulas. Afinal 6,5 cm de diferença entre uma perna e outra dificultam bastante… MAS… NÃO IMPOSSIBILITAM.

Hoje foi minha primeira aula com meus sapatos novos. Que facilidade e alegria… só de lembrar meus olhos enchem de lágrimas, como encheram desde o aquecimento da aula!!! MInha articulação coxo-femural não doeu, eu consegui trabalhar com minhas pernas mais soltas, e mesmo com o pé pesado, tudo saiu mais leve e limpo…

Aqui em baixo é a foto do meu sapatinho adaptado:

vistos de outro angulo!!!

BOm, para quem nunca me viu dançar pode achjar que é impossível ser bailarina clássica, formada, com DRT, e mais de 20 anos de carreira, e ainda subindo aos palcos com tamanha diferença entre as pernas… mas dificuldade é o combustível que precisamos para nos gerar mudanças.

Resolvi mostrar minhas pontas adaptadas também… a sapatilha do pé direito na verdade são duas: uma dentro da outra que permite que minha perna fique quando estou nas pontas praticamente do mesmo tamanho uma da outra:

orgulho!!!

Então gente… eu só queria dizer que quando a gente vence a barreira do impossível pré-concebido…. a sensação de poder fazer, poder ser, é indescritível!!!

Por isso que quando eu estou dentro da minha sala de aula eu não deixo aluno meu dizer ou pensar que algo é impossível. Não.

Nada é impossível. Pode ser sim muito difícil, até encontrarmos o caminho para aquilo, mas assim que encontramos a caminho e os instrumentos necessários… ai que delícia!!!

Como é bom realizar sonhos!!! Os meus, ajudar os outros a realizarem os seus…

É isso gente: a arte pertence à humanidade. É por isso que acredito que ensinando o caminho ao aluno ele vai encontrando aquele que ele mesmo vai usar para construir seus sonhos e torna-los realidade!!!

Abaixo duas fotinhas do espetáculo de dezembro de 2009… mas desta vez sou eu dançando!!!

Espetáculo de Ballet Clássico Adulto – Teatro Brigadeiro:

Em “La Bayadere”- como Gamzatti, com Jorge Luiz Lima:

Karen Ribeiro e Jorge Luiz Lima em "La Bayadere" - 2009

Espetáculo “Fuerza y Passión” – Studio Ana Esmeralda – Teatro Brigadeiro

Karen Ribeiro em “Encuentro” – solo de Ana Esmeralda (2009)

Karen Ribeiro em "Encuentro"- solo de Ana Esmeralda 2009

NOtem que a perna direita está no ar…. a sapatilha que aparece é a dupla sapatilha!!!

Bom… na verdade esse post é para que quem veio até aqui e leu isso pense duas vezes antes de se impor o limite do impossível!

um grande beijo iluminado no coração do todas e todos!!!

TIa Ká

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